sábado, 16 de junho de 2007

O prédio da padaria

Quando eu era pequeno a minha mãe comprava o pão aqui nesta padaria de esquina, a poucos metros da minha casa. Logo de manhã sentia-se naquela zona o cheirinho a pão quentinho!

Não sou arquitecto, mas acho este mais um dos lindíssimos prédios do centro de Paço de Arcos. E também acho que este está condenado pelos planos de 'modernização' da Câmara Municipal de Oeiras.

Vista da esquina, com a antiga padaria, hoje pastelaria, na esquina.
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Senão vejamos, todo o prédio está com o reboco a caír, e apresenta um estado de abandono que é óbvio a quem parar alguns segundo para olhar a sério para ele.
Traseira do prédio, visto da R. José Oliveira Raposo.
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Não me canso de dizer que estes prédios devem ser restaurados, e não reconstruídos. Até parece haver um plano de 'deixar ir abaixo' para depois se construír um novo, com o mesmo tipo de linhas, mas que já não é o mesmo.

Mas em breve já ninguém se importará. Quem vive nesta zona é sobretudo gente de mais idade. Só eles (e não eu) se lembram como era antigamente. Na década de 50, 60 e mesmo 70. E quando esses morrerem, então já se poderá ganhar dinheiro 'a sério' com o centro de Paço de Arcos.

Até poderá haver um grande incêndio, à semelhança do do Chiado, seguido por longos anos de negociatas, e de uma comercialização caracterizada pela pobreza de imaginação.

Leiam os planos da CMO, e depois digam-me se não são parecidos com os planos da CML, há mais de vinte anos, para o Chiado. E lembrem-se como a 'pedonalização' da R. do Carmo foi um grande obstáculo ao trabalho dos Bombeiros. Pois bem, planeia-se o mesmo tipo de 'pedonalização' para a Costa Pinto!

4 comentários:

Anónimo disse...

Caro Miguel Lopes

Concordo inteiramente consigo, excepto no que diz respeito à pedonalização. Se a pedonalização avançar em grande parte do centro histórico, constrói-se um centro comercial ao livre e ganha-se um espaço de fruição urbana e comercial muito agradável. A situação da Rua do Carmo é um exemplo feliz: a rua tem muito movimento, está cheia de comércio e é das zonas de Lisboa onde a decadência e a desertificação não se fizeram sentir. É ir lá e ver a "movida" que se faz sentir naquela rua e nas ruas adjacentes, mesmo aos fins-de-semana. Voltando agora a Paço de Arcos: a pedonalização revitalizará o centro histórico, atento o incómodo em circular naquela zona. Os passeios são estreitos e a circulação de carros a centímetros dos peões é pouco convidativa. A meu ver, torna-se urgente a construção de um parque de estacionamento no centro histórico. Uma das promessas eleitorais do actual presidente foi a edificação de um parque no terreno que fica ao lado do Pingo Doce e que hoje mais não é do que um espaço de dejectos, onde o estacionamento caótico se faz sentir. A sua destinação a residentes e um tarifário convidativo para quem não mora na vila, ajudariam em muito a revitalizar Paço de Arcos. Até agora nada se fez. Por outro lado, seria interessante saber o que é que aconteceu ao projecto da "Casa da "Ópera" na zona fronteira ao jardim, onde hoje existe o tal estacionamento pago, que faz daquela zona de Paço de Arcos, onde a fruição do rio podia ser magnífica, uma amálgama de carros, povoada de fiscais da parques Tejo. O projecto era acompanhado do rebaixamento da marginal e do prolongamento do jardim até à praia. O que é feito deste projecto? A meu ver, Paço de Arcos precisa de comércio e de vida. É triste ver que aquela mercearia de que fala é hoje um armazém e que parte das lojas que existem no centro tendem a conhecer o mesmo destino: veja-se o exemplo da Sapataria Coutinho, ao pé do restaurante "Os Arcos". Esta destruição do comércio é também propulsionada pela "ratificação" de projectos estritamente residenciais, que não deviam ser admitidos sem componentes comerciais: é o caso das novas "vivendas" em frente às agências do Totta e da CGD, que deveriam ter no piso térreo espaços comerciais, como existiam antigamente. A vila só inverterá a tendência que vem conhecendo se se instalar ali uma "loja-âncora", que tenha efeitos irradiantes sobre o restante comércio. Por exemplo, a instalação de uma Fnac no centro histórico, à semelhança do que aconteceu no Chiado ou na baixa do Porto, seria o ideal e atrairia muitíssa gente àquela zona. Não há nenhuma no Oeiras Parque nem no raio circundante de 15 km.
Cabendo também à CMO atrair projectos privados que dinamizem o perímetro urbano, não nos podemos esquecer de que aa sociedade civil tem um papel fundamental na inflexão do caminho que Paço de Arcos vem tomando: uma zona de passagem, onde se come em meia dúzia de restaurantes, mas onde não se faz compras. Continuação de bom trabalho.

Miguel disse...

Agradeço o seu comentário, que só vem valorizar este blog, que espero um dia vir a ser também um lugar de debate e de novas idéias em relação ao centro histórico da nossa vila.

Em relação ao tal estacionamento no baldio ao lado do Pingo Doce, tenho duas coisas a dizer:

1 - como o estacionamento para residentes também é pago - pouco mas é, e por princípio não vou pagar algo que sempre tive, só porque a CMO decidiu vir ganhar dinheiro com a minha rua - aquele local é local de estacionamento de muitos que, como eu, se recusam a pagar o novo 'imposto'. São 6 euros, nem que fossem 6 cêntimos. No início foi-nos dito que o estacionamento para residentes seria gratuito, por isso, SEJA GRATUITO! Também lá estacionam muitas pessoas que moram longe da estação dos caminhos de ferro, e que para lá chegarem têm de vir de carro. Muitas poderão ter salários razoávelmente baixos - quem tem bons salários em Portugal? - por isso mesmo que fosse pouco, uma tarifa de estacionamento seria sempre de evitar a todo o custo.

2 - O simples facto de ainda não estar lá o 'silo' de estacionamento tem a ver com alguma oposição por parte dos moradores daquela zona, que vão ver nas suas traseiras um foco de poluição cujo impacto não pode ser subestimado.

É possível que o atraso na construção do silo esteja também à espera de duas coisas:

- a mudança do quartel de bombeiros para a nova localização;

- e, lamento a teoria da conspiração, a venda de todos os apartamentos do novo edifício que foi construído logo ao lado do Pingo Doce. É que quem construíu aquele prédio decerto quererá vender os apartamentos a peso de ouro - o edifício está numa zona supostamente 'nobre'. Não o conseguirá com um silo de estacionamento nas traseiras... E todos os que procuram casa - por cara que seja - mal saibam os planos da CMO, fogem daquele prédio. A acrescer a crise imobilária que atravessamos (e que espero injecte algum realismo nos preços das casas...)

Ainda penso que a melhor utilização para aquele espaço seria a criação de um pequeno jardim. É um local sossegado, onde as crianças e os idosos poderiam estar em paz.

Este jardim poderia ter ou não alguns lugares de estacionamento.

Mas creio que concordará que no meio de habitações não se deve pôr um silo de estacionamento...

Se se quer dar vida ao centro da vila, concordo com a pedonalização, mas não concordo com a PENALIZAÇÃO de quem cá quer vir. Deve haver locais de estacionamento, mas gratuitos e devidamente vigiados PELAS AUTORIDADES - Polícia Municipal - e não por agentes de uma organização comercial.

Anónimo disse...

Em relação ao parque de estacionamento do Pingo Doce concordo consigo: o ideal era fazer-se um jardim, com um estacionamento subterâneo. Tendo sido o que se fez na Praça de Londres junto à igreja de São João de Deus, acho contudo que a solução é muito cara. E a carestia seria necessariamente suportada pelos utentes do dito...
Agora o espaço como hoje se encontra é que não pode continuar: o estacionamento é caótico, a zona não está devidamente iluminada e é propícia a roubos durante a noite. Trata-se, em boa verdade, de uma zona absolutamente caótica, que, durante o dia, tem muitos carros em segunda fila e que é ocupada por quem só vem a Paço de Arcos para apanhar o comboio na estação, impedindo, muitas vezes, os próprios moradores de aí estacionarem as suas viaturas. É também uma zona onde parece não haver limpeza do lixo e que está completamente desarranjada. Já vi indivíduos de etnia cigana que vendem em frente ao Pingo Doce a despejarem lixo para aquela zona, quando não para o passeiro fronteiro ao supermercado. Perante este cenário, parece-me mais provável que o empreendimento conclua a sua comercialização se se puserem silos naquela zona, do que com o panorama actual, panorama que aliás parece contribuir em muito para que a venda de andares se prolongue há já varios anos e que a comercialização não se conclua. Questão diferente é a do quartel dos bombeiros e do que vai surgir no terreno que ainda ocupa. Estou em crer que vai servir de base à construção de um edifício de escritórios muito semelhante ao que se encontra na gare intermodal. Trata-se de processo a acompanhar de perto por todos os que (ainda) gostam de Paço de Arcos.

Miguel Lopes disse...

De novo concordo consigo em alguns pontos.

Acho quase impossível fazer ali um estacionamento subterrâneo, mas não por causa do custo - se há dinheiro para construir um SATUo que ninguém usa, e que dificulta o trânsito automóvel (que traz dinheiro ao concelho) haveria certamente para um projecto que iria beneficiar todos, não é?

O principal problema ali seria o subsolo ser composto por rocha maciça. Lembrar-se-á do tempo que demorou a fazer a passagem sob a linha dos caminhos de ferro - anos - e que se deveu precisamente a este factor.

Acho também, e perdoe-me o termo - algo imoral esperar-se que se vendam os apartamentos daquele prédio, para depois lhe enfiar com um silo de estacionamento na frente. Os apartamentos são de certeza MUITO CAROS, e a desvalorização que terão a seguir à construção do silo de certeza LEVARÁ À RUÍNA os infelizes que tenham comprado os mesmos... Concordará comigo de certeza.

Em relação ao estacionamento: concordo que é DESREGRADO, mas não SELVAGEM. Aliás, verifico um grande espírito de civismo e até entreajuda entre as pessoas que usam aquele espaço. Ainda ontem vi um indivíduo a ajudar uma senhora a tirar o carro, por estar com uma saída algo apertada.

Também acho legítimo que os não moradores usem o espaço, por não quererem/poderem pagar. Todos temos de ir para o emprego, e todos precisamos de pôr o carro onde pudermos, e todos precisamos de poupar onde pudermos.

Não acho é legítimo os moradores quererem estacionar onde sempre estacionaram e terem de pagar 6 euros por ano por um dístico. É pouco mas é uma questão de princípio. Isto é que está mal. Então não há dinheiro para fazer dísticos e há para os SATUos, e para o 'chafariz' no Tejo, que descaracteriza completamente a vila, e dá um ar de novo-riquismo totalmente alheio ao espírito real da vila?

Somos uma vila pacata, bonita e acolhedora, e não uma Geneve de 2ª categoria...

Quanto ao lixo, sabemos como são as pessoas que menciona. Como utilizador frequente daquele espaço (que cobrirei num post futuro), não costumo, no entanto, ver nada fora do especial. Há umas folhas de jornal, umas garrafas de água... Nada que eu sózinho, se quisesse, não fosse capaz de limpar em 10 minutos! Para o espaço todo! Aliás até lá está um contentor da Junta de Freguesia de Paço de Arcos. Há dias até cortaram aquela vegetação. Pouco falta para ali fazer um jardim. Fechar o acesso, nivelar - é um trabalho pequeno - pôr uns bancos e umas mesas. Em dias teríamos por ali crianças a jogar à bola e idosos a conversar. Não é difícil pôr as pessoas felizes.

Acho que são precisas decisões difíceis para a CMO:

- estacionamento gratuito para os moradores, dísticos incluídos;

- estacionamento mais barato para os outros, gratuito de preferência, ou com prazos de cobrança maiores;

- vigilância POLICIAL do estacionamento, e não de uma entidade comercial. Aplicação REAL da LEI, e não de um interesse económico. Estacionado em segunda fila ou em cima de um passeio - multa e reboque. Estacionamento regular, mas sem pagar o parquímetro - quanto muito, multa. O reboque nestas circunstâncias é completamente ILEGAL, e a Parques Tejo apenas o faz porque ainda ninguém a quis combater em Tribunal. A CMO é perita em cometer ilegalidades de que se safa por ser caro combatê-la.

Assim sim, teríamos o estacionamento regularizado no centro da vila.

Porque neste momento vemos uma situação bizarra - Carros bem estacionados, mas que não pagaram o parquímetro, a serem bloqueados e REBOCADOS, com carros em cima dos passeios mesmo ao lado!!!

E gente que, com lugares disponíveis - mas em área de parquímetro - preferem deixar o carro em cima do passeio. Não por ser gratuito, mas porque assim a Parques Tejo não o rouba!

Porque é que em Oeiras há de ser diferente de em Lisboa? Em Lisboa quem bloqueia é a Polícia, e só em casos de estacionamento em cima do passeio, por exemplo. Porque é que em Oeiras havemos de ser governados por algo que age como uma Máfia, que ignora agressiva e ostensivamente a Lei?

Convido-o a ler um artigo num outro blog meu, neste endereço:
http://tinyurl.com/3xpfuy

E convido-o também a continuar a dar o seu valioso contributo para este blog, que desejo que seja de todos os Arquipacenses!